Como Evitar o Superendividamento com Crédito

Como Evitar o Superendividamento com Crédito

O cenário econômico atual no Brasil expõe uma triste realidade: muitas famílias recorrem ao crédito para manter o padrão de vida e acabam perdendo o controle sobre suas finanças. Mas não é preciso chegar ao ponto de comprometer o mínimo existencial. Com informação, disciplina e estratégias práticas, é possível usar o crédito de forma consciente e evitar o temido superendividamento.

Este artigo traz dados, sinais de alerta e um passo a passo para você retomar as rédeas do seu orçamento e proteger sua tranquilidade financeira.

O tamanho do problema no Brasil

Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic/CNC), 78,2% das famílias brasileiras relataram ter algum tipo de dívida em maio de 2025, maior patamar desde julho do ano anterior. Dessas, 29,5% apresentavam contas em atraso, configurando inadimplência. Em agosto de 2025, esse índice chegou a 30,4%, o maior desde o início da série histórica em 2010.

Além disso, dados da Serasa apontam que o país acumula quase R$ 500 bilhões em dívidas ativas de consumidores, com 79 milhões de inadimplentes e 313 milhões de débitos registrados. Em média, cada pessoa deve R$ 6.274,82 e cada dívida gira em torno de R$ 1.584,52.

O comprometimento da renda familiar com dívidas já ultrapassa 30%, um nível próximo ao recorde de 2023, segundo o Banco Central. Para o fim de 2025, a projeção é de aumento de 3,1 pontos percentuais no endividamento e 1,6 ponto na inadimplência.

Por que o crédito vira problema?

Entender as causas do superendividamento é fundamental para criar defesas antes que a situação escape do controle. Entre os principais fatores estão:

  • Juros exorbitantes no cartão e no cheque especial, que podem ultrapassar 300% ao ano.
  • Falta de planejamento financeiro para enfrentar imprevistos e organizar gastos mensais.
  • Crédito fácil e abundante, com propagandas agressivas que apelam aos desejos imediatos.
  • Educação financeira adequada e consistente ainda insuficiente na formação de muitas pessoas.

No plano estrutural, a taxa Selic elevada torna todo tipo de empréstimo mais caro. Além disso, mais de 60% da dívida pública está indexada à taxa de curto prazo, o que pressiona o custo do crédito para consumidores e empresas.

O comportamento do consumidor também é crítico: pagar somente o valor mínimo da fatura, rolar o saldo devedor e manter várias parcelas abertas multiplicam encargos de forma exponencial. Somado a isso, situações adversas como desemprego ou emergência médica podem levar famílias sem reserva a recorrer a linhas caras, criando um ciclo vicioso.

Sinais de alerta de superendividamento

Ficar atento aos primeiros indícios é a melhor forma de reagir antes de se perder completamente. Observe se você:

  • Gasta mais do que ganha e fecha o mês com empréstimos.
  • Faz uso crônico do cheque especial ou do crédito rotativo do cartão.
  • Paga apenas o valor mínimo da fatura ou atrasa contas com frequência.
  • Possui dívidas em diversos credores e não lembra datas de vencimento.
  • Tem mais de 30% da renda comprometida com parcelas e juros.

Quando essas condições se acumulam, o consumidor acaba sacrificando necessidades básicas, entrando no conceito legal de superendividamento: incapacidade de pagar todas as dívidas presentes e futuras sem abrir mão do básico para sobreviver.

Estratégias para evitar o superendividamento

Prevenir o descontrole financeiro demanda disciplina, mas os resultados trazem paz de espírito e segurança. Confira as ações essenciais:

  • Elabore um orçamento mensal detalhado, listando receitas e todas as despesas fixas e variáveis.
  • Crie reservas de emergência financeiras sólidas para imprevistos, com pelo menos três meses de gastos.
  • Renegocie dívidas em atraso, buscando taxas menores e prazos que caibam no seu bolso.
  • Priorize o pagamento de empréstimos com juros mais altos, como cartão e cheque especial.
  • Evite contrair novas dívidas até reduzir o saldo devedor atual.
  • Use o crédito consciente: prefira compras à vista quando possível e ope rar com limites acessíveis.

Além disso, vale buscar orientação especializada: consultores financeiros, programas gratuitos de educação financeira ou ferramentas digitais de controle de gastos podem oferecer apoio e insights para comportamentos mais saudáveis.

Ao adotar essas práticas, você passa a ter maior poder de decisão sobre seu dinheiro, livrando-se da pressão dos juros altos e mantendo o consumo dentro do que sua renda comporta.

O papel da legislação e da transparência

A Lei do Superendividamento trouxe avanços importantes: proibiu ofertas abusivas e exigiu maior clareza sobre custo efetivo total (CET) nas operações de crédito. Isso ajuda o consumidor a comparar opções e escolher a mais vantajosa.

No entanto, a responsabilidade também é individual. Mesmo com regras mais rígidas para os bancos, a decisão final de contrair um empréstimo ou usar o cartão cabe ao consumidor. Por isso, conhecer as próprias limitações e planejar cada passo faz toda a diferença.

Evitar o superendividamento é um compromisso diário. Com informação, controle e atitudes conscientes, você fortalece sua saúde financeira e constrói um futuro sem o peso das dívidas.

Fabio Henrique

Sobre o Autor: Fabio Henrique

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